Inteligência Emocional – Goleman

O sucesso depende de factores para além da inteligência e espírito de trabalho. As relações interpessoais, a aptidão para trabalhar em grupo, a capacidade de ouvir os outros e de ouvir a nossa consciência, são fulcrais num mundo cada vez mais ligado por redes e em que o trabalho é uma tarefa de equipa. Para chegarmos ao sucesso, precisamos de ter inteligência intelectual, mas também emocional.

A base da inteligência emocional é a auto-consciência, ou seja, o reconhecimento de um sentimento enquanto ele está a acontecer. O sentimento tem um papel fundamental na nossa navegação pelas decisões que temos de tomar. Todos sentimos sinais claros sob a forma de impulsos límbicos, que segundo António Damásio, vêm de “baziladores somáticos”. São uma espécie de sinais que nos alertam para um potencial perigo, mas também para boas oportunidades. Goleman diz que “… a chave para tomar boas decisões pessoais é ouvir os sentimentos”.

O objectivo é o equilíbrio e não a anulação dos sentimentos. Todos os sentimentos têm o seu valor e significado. Para o bem-estar emocional é preciso controlar as emoções. Há sentimentos que podem destabilizar emocionalmente os indivíduos, como raiva, ansiedade ou melancolia, mas podem ser combatidos, deteriorando as hipóteses irreais que sustentam a raiva, manter-se céptico relativamente às dúvidas que causem ansiedade ou mesmo praticar exercício físico para ajudar a eliminar a melancolia.

É essencial que as pessoas se sintam motivadas. Quanto mais motivadas e insistentes forem, maior capacidade e competência terão para atingir os seus objectivos. O controlo emocional está ligado a qualquer realização. O optimismo e a persistência podem ser um comportamento inato, mas pode também ser adquirido pela experiencia. Qualquer que seja a sua origem está-lhe subjacente a ideia de auto-confiança, a certeza que se domina os acontecimentos da própria vida e se é capaz de ultrapassar os desafios.

A empatia, habilidade de perceber o que os outros sentem, tem um papel fundamental numa sucessão de áreas de vida. Se estivermos aptos a reconhecer as nossas emoções, somos capazes de reconhecer as dos outros.

No livro “Inteligência Emocional”, a tese apresentada por Goleman explicita que a insuficiência em saber gerir as suas próprias emoções pode interferir com o nosso bem-estar. O Psicólogo sublinha que o estilo de vida presente, com a crescente violência, criminalidade e infelicidade, mostra como a nossa preocupação passa apenas pelo intelecto, menosprezando a parte emocional. Afirma ainda que há dois tipos de mente, o primeiro que se destina ao raciocínio, onde se enquadra a compreensão com ênfase na consciência e maisapto à atenção, ponderação e reflexão e o segundo tipo que se dirige às emoções, sendo este um sistema de conhecimento impulsivo.

As duas mentes actuam maioritariamente em conjunto, facilitando assim na tomada de decisões com a sua interacção. No entanto há momentos em que o mesmo não se verifica, tal como quando surgem paixões, onde a mente emocional toma o controlo, sendo esta mais rápida na reacção, sem espaço de manobra para raciocinar. Isso acontece mesmo antes de termos noção de que as emoções já se apoderaram em nós. Acredita-se que isso se deve ao apelo de fuga perante situações de risco.

As atitudes tomadas com base nas emoções iludem-nos de que cada acção é a mais correcta, mas segundo Ekman, o clímax da emoção está presente durante breves instantes. Se esses momentos perdurassem no nosso cérebro e corpo, poderiam provocar danos.

São-nos desconhecidas as emoções que podem surgir de cada pensamento, no entanto temos a possibilidade de decidir em que pensar, ao contrário da mente racional, em que cada emoção não é decidida por nós, pois não conseguimos controlar quando ficar tristes, furiosos ou alegres.

Ainda no que respeita às emoções, perante uma dada situação, reagiremos no futuro a essa situação de forma igual como em situações semelhantes no passado. Caso as sensações sejam pouco claras, é plausível que as emoções não sejam associadas a qualquer momento e que assim não percebamos o que estamos a sentir.

A forma como pensamos e actuamos depende de como nos sentimos.

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